Categoria Bioconstrução

porSítio Sapopema

Bioconstrução

A Bioconstrução como nova visão de estabelecimento rural.

Várias são as vantagens da bioconstrução, desde baixo custo de recursos a melhor conforto térmico e designs livres e sofisticados.

Representa melhor integração com o meio ambiente pois se faz através do uso de recursos locais sem, necessariamente, demandar de uma indústria e logística mercadológica. O uso de recursos locais, automaticamente, integra a casa na paisagem local.

Revoluciona a lógica de sobrevivência (aluguel é subsistência?) pois gera conforto e abrigo sem movimentar, necessariamente, o sistema capitalista. A construção civil moderna/atual é o ramo que mais demanda recursos do planeta, sendo responsável por até 40% de todos os recursos explorados e consumidos globalmente.

Vários são os níveis de bioconstrução e alguns até mesmo usam recursos “novos” como o próprio concreto, portas, janelas, tintas, etc. Entretanto, a ideia principal parte da reciclagem e reutilização de materiais.

Muito pode-se fazer com material doado. O princípio da reutilização é que tudo é recurso e nada é lixo. Isso não quer dizer que devemos acumular entulhos mas sim saber como destinar nossos próprios lixos sem impactar negativamente o meio ambiente. A bioconstrução é uma boa alternativa para dar um destino adequado a materiais como vidros quebrados, pneus, plásticos em geral, pedaços de ferro, entulhos, entre outros.

– Nesse exemplo foi usado a estrutura metálica de um colchão de molas descartado para sustentar uma parede preenchida de pedras, garrafas e barro.

Vidros, muitas vezes abandonados, de fogões e portas de freezers comerciais dão ótimas vidraças, agilizando o preenchimento de paredes e demandando menos mão de obra com o feitio de massa (terra + palha) além de permitir maior entrada de luz no ambiente melhorando, assim, o conforto geral e diminuindo a umidade e criação de mofos.

A reutilização de pneus, apesar de importantíssima, deve ser vista com atenção. Esse recurso pode contaminar o solo e nunca deve ser posto diretamente perto de nascentes, baixadas e áreas alagadas, mas sim como contenção de encostas, fundações ou utilizações acima do solo. Em determinados casos, como na contenção de erosões, seu uso traz benefícios maiores do que os prejuízos causados pela sua lenta decomposição ao longo dos anos podendo, essa, ser equilibrada através da bio/fitorremediação.

Vitorino – PR. Pneus como fundação de paredes.

Rio Pomba – MG. Pneus usados para evitar erosão de nivelamento.

Do pau/bambu a pique ao cob, cordwood, adobes e pedras, chegando ao aço e ao concreto, a bioconstrução mescla-se com tecnologias primitivas e modernas, podendo-se usar de ambas técnicas construtivas na mesma empreitada

Lavanderia em casa mista de madeira, alvenaria e pau-a-pique reutilizando descarte (refilão) de serraria:

Algumas bioconstruções seguem projetos arquitetônicos, caros ou não, que demandam serviços especializados ou não. Cabe apenas a cada um julgar ou não o que cabe para sustentar o conceito de bioconstrução. Particularmente, gosto da ideia de que as bioconstruções, em partes, se auto-constroem conforme os desafios que se apresentam. E se moldam livremente de projetos e pré-determinações. Essa ideia é fundamental quando objetivamos a reutilização de recursos que, muitas vezes, exigem ideias inventivas e adaptações fora dos padrões.

Quanto mais locais forem os recursos e também a mão-de-obra, principalmente quando não há contratação dessa, mais podemos classificar como bioconstrução.

Do início aos acabamentos, é sempre bom receber ajuda de amig@s para bioconstruir!

A improvisação se faz presente no canteiro de obras:

Estrutura para paredes de banheiros em casa mista (madeira, alvenaria e bambu-a-pique)