porSítio Sapopema

Calendário Biológico-Dinâmico – Calendário Lunar 2021.

CALENDÁRIO BIOLÓGICO-DINÂMICO

Calendário Lunar

Gratidão Mario Barbarioli pelas considerações e pelo calendário!

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CONSIDERAÇÕES PARA INTERPRETAÇÃO DO CALENDÁRIO:

A Agricultura Biológico-Dinâmica, mais conhecida como Biodinâmica foi iniciada em 1924 por Rudolf Steiner numa série de palestras conferidas para agricultores na Áustria.

Esta agricultura leva em consideração a extraordinária força exercida pela Lua em sua passagem pelo Zodíaco durante o ano e também a presença de corpo, alma e espirito do Ser Humano na Agri-cultura. O Zodíaco nada mais é do que o círculo das constelações por onde passam todos os Planetas, o Sol e a Lua.

Essas constelações eram vista na antiguidade como figuras de animais, ex. Leão, seres humanos, ex. Gêmeos e objetos, no caso a Balança ou Libra. São ao todo12 constelções: Virgem, (Balança ?? leia as consideraçoes)=Escorpião, Serpentário, Sagitário, Capricórnio, Aguadeiro ou Aquário, Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Caranguejo ou Câncer e Leão.

A Terra em sua órbita, (linha imaginária por onde passa) ao redor do Sol tem em seu eixo uma inclinação de 23,5˚ (graus) e realiza três movimentos principais:

Rotação, que é o círculo ao redor do Sol em 365 dias completando um ano.

Translação, que é o giro em torno de seu eixo em 24Hs que resulta nos dias e noites e

Precessão dos Equinócios, que é o giro de seu eixo (como um pião ) e esse giro se completa aproximadamente a cada 26.000 anos resultando as Eras, glaciais ou não.

Na Rotação da Terra em torno do Sol percebemos que em Dezembro (dia 22) o Sol está bem alto, (em cima de nossas cabeças). Esse ponto é chamado de Solstício* de Verão no hemisfério sul e de Solstício de Inverno no hemisfério norte, ao contrário, quando o Sol chega ao máximo no hemisfério norte é o Solstício de Verão lá em Junho (dia 21) e de Inverno aqui no hemisfério sul.

Quando inicia a Primavera no norte e outono no sul o Sol está “passando” pela linha do Equador (que divide a Terra nos dois hemisférios) esse ponto é chamado de Equinócio* de Primavera em Março no norte e Equinócio* de Outono no sul, de Primavera no sul em Outubro e Outono no norte.

Há 2.000 anos (inicio da Era cristã), o Equinócio de Primavera no norte acontecia com o Sol na constelação de Áries e no sul na de Balança ou Libra, com o movimento de Precessão esse ponto mudou para Peixes no norte e Virgem no sul, uma defasagem é de mais ou menos um mês atualmente. Naquela época no Solstício de Verão, quando começava o Verão no Hemisfério norte e inverno no hemisfério sul, o Sol se encontrava diante de Caranguejo ou câncer, tanto que conhecemos o Trópico de Câncer. E no nosso verão o Sol estava diante de Capricórnio e temos o Trópico de Capricórnio. Com a Precessão, o Sol atualmente está diante de Gêmeos no norte e de Sagitário no sul, (essa diferença não é mencionada na astrologia) e deveríamos dizer Trópico de Sagitário no hemisfério sul e de Gêmeos no hemisfério norte, mas por razões históricas os estudiosos não o fazem. Como as constelações não são todas iguais, a passagem do Sol diante delas não é igual, alguns dias para umas e mais de um mês para outras. Ex. Virgem em 45 dias e Caranguejo ou cancer em 23 dias.

Nas tradições de muitos Povos Antigos, cada constelação, exerce uma força sobre o Sol, Terra, Lua e os Planetas que corresponde a um elemento. Ex. Virgem, Capricórnio e Touro exercem uma força do elemento Terra. Libra, agora Escorpião (veja explicaçao abaixo) Aguadeiro ou aquário e Gêmeos exercem uma força do elemento Ar, Luz. Sagitário, Áries e Leão exercem uma força do elemento Fogo, Calor, e Serpentário, Peixes e Caranguejo ou câncer uma força de Agua, Umidade.

Assim, cada uma dessas forças age mais forte em uma parte da planta. Ex. força do elemento Terra, tem influência nas raízes, tubérculos e bulbos, a força do elemento Fogo, nos frutos e sementes, a força da Água nas folhas e caules e a força do Ar, nas flores. Então, observando o movimento da Lua diante dessas constelações podemos intensificar com nosso trabalho, presença e tratos culturais, estas forças em nossas roças, pomares, jardins e hortas.

Obs. A mudança da Lua de uma constelação para outra as vezes ocorre durante a noite. Quando acorre durante o dia, espera-se uma hora antes de iniciar a próxima interferência nas partes desejadas das plantas e está marcada no calendario.

A Lua não está sempre na mesma distância da Terra. Algumas vezes está próxima e outras, distante. Este movimento é chamado de Perigeu *a aproximação e Apogeu *o distanciamento. Existem alguns relatos de experimentos feitos levando em conta somente estes movimentos mas ainda não estão completos, cabe a cada um de nós tentar descobrir se realmente eles tem influência no cultivo mas para isso, é preciso conhecer um pouco de Astronomia e estar informado de quando os mesmos ( perigeu/apogeu ) acontecem. Informamos neste calendário apenas como indicação.

Com a inclinação de 23,5˚ (graus) do eixo da Terra em relação ao Equador celeste, isso nos dá as Estações do ano. Se esse eixo estivesse perfeitamente na vertical não teríamos invernos nem verões e veríamos o Sol e a Lua nascendo, passando e se pondo sempre no mesmo lugar. Mas, felizmente isso não é assim. Por causa desta inclinação, no inverno vemos o Sol lá em baixo ou seja, faz um percurso menor que no verão, tanto que os dias são mais curtos, e escurece em torno de 16:00hs e no verão, ao contrário, temos sol e claridade até as 20:00hs. A Lua também faz este movimento e a este damos o nome de Descendente quando ela vai passando cada vez mais baixo pro lado do norte como o Sol no inverno e de Ascendente quando ela vem subindo e passa em cima de nossas cabeças como o Sol no Verão, e ela faz isso todos nos meses do ano. No movimento Descendente, a Lua atua de forma que a seiva das plantas também desça e assim podemos fazer as podas de fruteiras, confecção e transplantes de mudas pois as forças da planta está nas raízes e assim elas se adaptam melhor às mudanças de ambiente e se fixarão melhor ao solo. No Ascendente, a atuação da Lua levando as forças da planta para o alto e é tempo de enxertia pois estas forças estão no caule subindo para os ramos e folhas.

No calendário está como ITM = início do tempo de muda(descendente) e FTM = fim do tempo de muda (ascendente).

Não consideramos as fases da Lua como nova, crescente, cheia e minguante mas estão marcadas a Lua nova e cheia, só como indicação. Às vezes coincide a Lua ascendente com a crescente e descendente com minguante mas nem sempre isso acontece por isso não mencionamos.

A linha imaginária por onde passam o Sol, Planetas e a Lua é chamada de Eclítica. A Lua cruza a eclítica duas vezes por mês e esse ponto é chamado Nódulo. Há indicações que não é recomendável trabalhar na terra nesse dia e nem confeccionar pães, bolos etc, pois as forças lunares estão nulas. Os dias de nódulos estão marcados no calendári.

Quando o Sol estiver em uma determinada constelação e a Lua também, é indicação de que seja um ótimo dia para o trato em plantas com o objetivo de se ter as respectivas forças de influência. Ex. Sol e Lua em um constelação de fogo, é um ótimo dia para frutos e sementes. Sol e Lua em uma constelação de terra, ótimo dia para raízes e bulbos e assim por diante.

Obs: Para quem curte observar, às vezes os planetas distantes como Marte, Júpiter e Saturno estarão em movimento retrógrado isto é, parecerão estar voltando em suas órbitas, mas isto é apenas aparente pois é a diferença de velocidade deles em ralação à da terra.

Obs. Em todas as colheitas e em todas as veriedades de cultivo devem ser feitas PRIORITÁRIAMENTE em uma Lua de Fogo, pois se conservam melhor e por mais tempo.

Solstício – do Latim – Sole – sol

Estitium – estável, parado

Equinócio – do Latim – Equum – igual

Notium – noite – nó

Perigeu – do Grego – Peri – perto, próximo

Geo – terra

Apogeu – do Grego – Aphos – longe, distante

Geo – terra

Obs: início das atividades agrícolas deste calendário: 05:00hs da manhã.

(considerações posteriores)

CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTE CALENDÁRIO

A concepção das formas das constelações já faz parte da humanidade desde seus primórdios e o sentimento de que ali existem Forças Cósmicas atuando é tao antiga quanto esta percepção.

A nossa curiosidade nos levou a buscar respostas e tentar conhecer o que está alem do mundo meramente físico e buscar uma compreensão do Todo ao qual pertencemos.

Temos em todas as antigas civilizações os rituais de adoração ou veneração a estas manifestações, seres, objetos, imagens e representações de algo que esta alem do alcance de nossos 5 sentidos, segundo Steiner são 12 os sentidos humanos ou canais de percepção.

Ao longo dos tempos a Humanidade tentou estudar o céu de muitas formas e uma delas foi dividindo o mesmo em 24 partes de 15° (graus) cada uma, perfazendo um total de 360° graus. Como hoje temos o GPS para a terra o mesmo se dá com a abóboda celeste. Esta divisão foi criada apenas com o intuito de estudos astronômicos do ponto de vista estritamente cientifico e se tornaram cada vez mais complexos e todas constelações foram formatadas conforme se desenvolviam esses conhecimentos e são muito diferentes umas das outras. P. ex. A constelação de Mosca no hemisfério sul é muito pequeninha enquanto a de Virgem é enorme e estas formas foram criadas para facilitar estes estudos. Algumas destas formas já eram conhecidas pelos Indus há mais ou menos uns 10 mil anos mas a maioria delas foram criada pelos Árabes e pelos Gregos tanto que seus nomes e de algumas estrelas que fazem parte ainda hoje são os mesmos.

Hoje existem 88 constelações catalogadas que foram sendo criadas conforme a necessidade e o aperfeiçoamento dos instrumentos para observação ao longos dos anos.

Vários foram os povos que estudaram a astronomia como os Indus, Chineses, Persas, Egipcios, Arabes e muitos os astronomos, que criaram varias constelações: Ptolomeu, Hiparco, Galileu, Lacaille e tantos outros.

Lacaille por exemplo em torno de 1753 construiu um observatório na Cidade do Cabo na Africa do Sul para estudar o hemisfério sul pois da Europa não se via as estrelas abaixo do Cruzeiro do sul. Ao todo foram 14 suas criações e ele dividiu a grande constelação de Argo navis (uma criação mitológica dos Gregos que simbolizava o barco do herói Jason e seus amigos em busca do Velo de Ouro = Aries) e criou outras 5 com a mesma, temos então a Popa, a Proa, O mastro, O Timão e a Vela. Ele também afastou o Escorpião e cortou suas puãs colocando ali a libra. Como já mencionado acima, as constelações são representações de Forças dos Elementos (terra, fogo, ar e água) atuantes no planeta Terra como um todo.

Para os conhecedores e usuários do calendário tem-se a referencia que a constelação de Libra tem relação com o elemento Ar, mas Libra foi criada em 1753. Se observarmos com mais atenção um Escorpião em seu ambiente natural, este parece voar quando caminha ou corre e por isso tem uma relação com o elemento Ar.

Antes no lugar de Escorpião havia a constelação de Serpentário = Ofiucus, (que não é considerada no zoodíaco astrologico) e simboliza o dominador da Serpente e neste caso uma Anaconda animal tipico dos rios e que tem relação com o elemento Agua.

Estas considerações são resultado de observações e experiências realizadas por mim nestes últimos 10 anos seguindo uma citação de Steiner em uma de suas palestras no livro – Os Fundamentos da Agricultura biodinâ-mica – que para controlar os roedores ( ratos) nas propriedades os agricultores deveriam fazer a “pimenta” do rato no período astronômico em que Vênus está transitando pela constelação do Escorpião atras do Sol e foi exatamente essa experiencia que realizei e somente em duas ocasiões funcionou. Quando Vênus estava apenas “entrando” na constelação de Escorpião funcionaou e me intrigou o porque não havia funcionado nas outras vezes, então, revendo minhas anotaçoes percebi que Vênus já estava no final de Escorpião nas que não haviam feito nenhum efeito. Então comecei a observar e pesquisar o fato e descobri que Lacaille havia “criado” a constelação de Libra em 1753 com a parte inicial do Escorpião então retomei a experiencia com Vênus ainda transitando pela Libra mas que era na verdade Escorpião e funcionou perfeitamente. Portanto o Calendário biodinâmico a partir de agora constará a constelação de Escorpião no lugar de Libra e do Serpentário em uma parte de Escorpião. A sequencia dos Elementos cósmicos continua tudo como era antes.

Obviamente Steiner não faz referencia ao Serpentário e muito menos a “criação” da Libra mas creio que muitas “dicas” que ele nos deu ainda estão para serem comprovadas.

Certamente a constelação da Libra não deixará de existir por eu não a considerar neste Calendário mas esta não fará mais parte do mesmo.

Sugiro a todos a leitura do livro “Fundamentos da Agricultura Biodinamica de Rudolf Steiner ” e realizarem suas próprias experiências pois tenho certeza que há muito ainda por fazer neste campo.

Assim, acreditamos que todos poderão ter uma chance de observar os resultados de seus manejos conforme este calendário e anotar as mudanças percebidas.

Solicitamos OLHAR, OBSERVAR E VER e que vossa Alma esteja aberta a tais efeitos.

BOM CULTIVO.

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porSítio Sapopema

Peixinho de Horta Frito

O Peixinho de Horta (Stachys byzantina) é uma planta que, além de alimentícia, é popularmente conhecida como Pulmonária devido ao seu uso medicinal e também amplamente utilizada como planta ornamental em bordas de canteiros e jardins. Desenvolve-se muito bem em climas temperados, resistindo a geadas e temperaturas negativas. As touceiras da Stachys byzantina devem ser separadas e replantadas a cada 6 meses visando obter folhas maiores e sadias.

Receita enviada por: Sítio Sapopema

Ingredientes:

Folhas de Peixinho de Horta / Pulmonária (Stachys byzantina)

2 Ovos

3/4 Xícara de farinha de trigo branca

1 Xícara de água

Sal e temperos a gosto.

Preparo: Adicione a Farinha de Trigo, os Ovos, Sal e Temperos no liquidificador e bata até obter uma mistura homogênea. Empane as folhas do Peixinho de Horta de modo a preencher toda a extensão da folha. Frite em óleo pré-aquecido até o ponto desejado.

porSítio Sapopema

Isso não é conteúdo

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porSítio Sapopema

Sistemas Agroflorestais

Diálogo de vidas: a ciência dos sistemas agroflorestais complexos

Joel Henrique Cardoso

O conceito de sistema agroflorestal ou agrofloresta é muito debatido no meio acadêmico.  A definição mais inclusiva encara o termo agrofloresta como um nome coletivo de sistemas de uso da terra nos quais espécies lenhosas perenes (árvores e arbustos) estão se desenvolvendo em associação com plantas herbáceas (vegetais, pastagens) ou animais, em um arranjo espacial, uma rotação, ou ambos. Destaca-se a importância da dimensão sistêmica, que se evidencia nas interações de interesse ecológico e econômico entre as árvores e outros componentes do sistema.

Apesar de aceitar-se o conceito ampliado, de que basta a presença de árvores em consórcio com plantas herbáceas e arbustivas, sejam exóticas ou nativas, desde uma perspectiva agroecológica os Sistemas Agroflorestais (SAF´s) mais adequados são aqueles que mais se aproximam da dinâmica sucessional da vegetação original, sua estrutura e funcionalidade, visando atender demandas humanas de modo sustentável ao longo do tempo. Os SAFs sucessionais ou Sistemas Agroflorestais Regenerativos Análogos (Safra) consistem em sistemas de alta complexidade, multiestratificados, onde se aproveita o espaço horizontal e vertical da área de plantio, adensando o maior número de espécies, de forma a explorar os diferentes níveis que compõe a floresta.

Quando este conceito é apresentado, a maioria dos técnicos se assusta e não sabe por onde começar. A maioria de nós, técnicos, não está preparada para tomar decisões frente as possibilidades múltiplas que os sistemas agroflorestais complexos nos apresentam. No entanto, os sistemas agroflorestais não foram inventados pela ciência moderna, o que leva a pensar que a dificuldade está no olhar simplificado e não na complexidade dos sistemas. Se não, como explicar que as experiências bem sucedidas com sistemas agroflorestais complexos estão em sua quase totalidade calcadas em conhecimentos tradicionais e são desenvolvidas na maioria dos casos por homens simples, que não passaram pelos bancos escolares.

Os chamados sistemas agroflorestais são práticas antigas, mas muito pouco estudadas. A forma da ciência moderna compreender o mundo tem se pautado em métodos que compartimentam, simplificam e reduzem os temas estudados, com a promessa de que este processo transformará o complexo, de difícil controle, em simples e manejável.

A ciência moderna avançou a passos largos nessa direção nas últimas décadas. A simplificação orienta processos que são fáceis de serem repetidos, o que possibilita a maior produção, em espaços de tempo mais curtos, tornando as sociedades modernas mais eficientes no processo de transformação do mundo para atender as demandas crescentes da espécie humana. No entanto, dentro da própria ciência, a guardiã da verdade das sociedades modernas, existe uma maioria de pessoas e instituições que afirmam que a humanidade está destruindo o ambiente. Muitas destas pessoas e instituições buscam novas formas de fazer ciência que sejam capazes de conviver com a complexidade da vida.

Como uma atividade milenar, a agricultura sofreu um processo de transformação muito acentuado pelas novas práticas fundadas nos princípios da ciência moderna. A produção de alimentos, fibras e combustíveis por meio de atividades agrícolas foi extremamente simplificada a partir do advento da revolução industrial na Europa. No século XX a agricultura moderna, baseada no uso de adubos químicos, agrotóxicos, máquinas, sementes e mudas, submetidas a melhoramentos genéticos desenvolvidos em laboratórios e estações experimentais, foi introduzida nos países em estágio inicial de industrialização.

Este processo alterou decisivamente a produção de alimentos. Quanto mais industrializada e moderna uma sociedade, menos pessoas dedicam-se a agricultura. A agricultura moderna imita processos industriais e os alimentos são cada vez mais manipulados, havendo cada vez mais distância entre quem faz agricultura e quem consome o alimento.

Apesar do extermínio de muitas formas de agricultura tradicional, que é causa e efeito de processos globais de transformação social, os pequenos agregados familiares agrícolas ainda constituem dois quintos da humanidade, ou seja, existem muito mais camponeses hoje do que se pode imaginar.

Ao mesmo tempo que a maioria das famílias camponesas está submetida a lógica de acumulação capitalista, servindo ao interesse das grandes corporações que são capazes de re-estruturar o mundo social e natural para conservar a sua condição imperial, a condição camponesa surge como alternativa para grande parte das pessoas conquistarem sua autonomia. Este processo de volta ao campo ou recampesinização, conectado com a prática de produção de alimentos que incorpore os princípios e práticas de sistemas agroflorestais, consiste em uma estratégia de resistência da espécie humana à crise planetária causada pela (ir)racionalidade da (in)eficiência produtiva do modo capitalista de produção, que é avaliada pela capacidade de consumir e não de produzir recursos naturais.

As práticas e sistemas agroflorestais são estratégias de produção estáveis ao longo do tempo, pois uma parte significativa das plantas se mantém no sistema por longos períodos, aumentando a eficiência energética e acelerando os ciclos de materiais, que vão sendo acumulados no ambiente cultivado. Além de aumentar a resiliência do local de cultivo, o elemento arbóreo integrado a produção de alimentos possibilita as famílias agricultoras a obtenção de outros bens necessários para a vida, como lenha, madeira, fertilidade dos solos, proteção contra ventos, chuvas torrenciais e excesso de irradiação solar, conservação de rios e nascentes e espaços para fluxos das espécies e seus materiais reprodutivos. As espécies arbóreas complexificam os sistemas agrários e inserem novas dimensões no processo de produção de alimentos, acrescentando estratos verticais em termos de copa e raízes e ampliam a dimensão temporal dos cultivos, possibilitando à família agricultora diversas colheitas de um mesmo plantio.

Para que as pessoas percebam que as florestas ou sistemas agroflorestais estão contribuindo para o bem estar e qualidade de vida, elas precisam refletir sobre os benefícios gerados pelas árvores, algo que escapa do olhar distraído pela racionalidade moderna, que fragmenta a visão dos atores e instituições que os cercam (vizinhos, amigos, parentes, assistência técnica, igreja, agentes comerciais e etc.). Neste contexto, uma família de agricultores e todo o seu entorno vê como valorizáveis somente os bens materiais que podem ser comercializados, como a terra, a produção agropecuária e a força de trabalho.

Os sistemas agroflorestais em termos práticos e teóricos avançam na direção da complexidade. Portanto, o estudo de sistemas agroflorestais além de consistir no aprendizado de práticas de cultivos e criações, deve estimular a reflexão para o desenvolvimento de um novo olhar sobre a vida e suas relações. Esta reflexão deve servir como exercício de rompimento com a visão reducionista, que simplifica e compartimentaliza o pensamento das pessoas para que elas só percebam as partes e sintam-se impotentes frente ao complexo.

Trabalhar com sistemas agroflorestais complexos será tanto mais complicado, quanto mais aferrados estivermos ao pensamento reducionista, que não compreende a vida. Assim, afirmamos que a ciência dos sistemas agroflorestais complexos pode ser sintetizada como diálogo de vidas, que trabalham de forma cooperada em favor do aumento e qualidade da própria vida do sistema.

 

CARDOSO,J.H. Diálogo de vidas: a ciência dos sistemas agroflorestais complexos. 2009. Artigo em Hypertexto. Disponível em: <http://www.infobibos.com/Artigos/2009_4/dialogo/index.htm>. Acesso em: 12/5/2018

porSítio Sapopema

Orgânico X Agroecológico – Principais Diferenças

Agricultura Orgânica Moderna permite várias práticas que fogem dos princípios da Agricultura Natural.

porSítio Sapopema

Bioconstrução

A Bioconstrução como nova visão de estabelecimento rural.

Várias são as vantagens da bioconstrução, desde baixo custo de recursos a melhor conforto térmico e designs livres e sofisticados.

Representa melhor integração com o meio ambiente pois se faz através do uso de recursos locais sem, necessariamente, demandar de uma indústria e logística mercadológica. O uso de recursos locais, automaticamente, integra a casa na paisagem local.

Revoluciona a lógica de sobrevivência (aluguel é subsistência?) pois gera conforto e abrigo sem movimentar, necessariamente, o sistema capitalista. A construção civil moderna/atual é o ramo que mais demanda recursos do planeta, sendo responsável por até 40% de todos os recursos explorados e consumidos globalmente.

Vários são os níveis de bioconstrução e alguns até mesmo usam recursos “novos” como o próprio concreto, portas, janelas, tintas, etc. Entretanto, a ideia principal parte da reciclagem e reutilização de materiais.

Muito pode-se fazer com material doado. O princípio da reutilização é que tudo é recurso e nada é lixo. Isso não quer dizer que devemos acumular entulhos mas sim saber como destinar nossos próprios lixos sem impactar negativamente o meio ambiente. A bioconstrução é uma boa alternativa para dar um destino adequado a materiais como vidros quebrados, pneus, plásticos em geral, pedaços de ferro, entulhos, entre outros.

– Nesse exemplo foi usado a estrutura metálica de um colchão de molas descartado para sustentar uma parede preenchida de pedras, garrafas e barro.

Vidros, muitas vezes abandonados, de fogões e portas de freezers comerciais dão ótimas vidraças, agilizando o preenchimento de paredes e demandando menos mão de obra com o feitio de massa (terra + palha) além de permitir maior entrada de luz no ambiente melhorando, assim, o conforto geral e diminuindo a umidade e criação de mofos.

A reutilização de pneus, apesar de importantíssima, deve ser vista com atenção. Esse recurso pode contaminar o solo e nunca deve ser posto diretamente perto de nascentes, baixadas e áreas alagadas, mas sim como contenção de encostas, fundações ou utilizações acima do solo. Em determinados casos, como na contenção de erosões, seu uso traz benefícios maiores do que os prejuízos causados pela sua lenta decomposição ao longo dos anos podendo, essa, ser equilibrada através da bio/fitorremediação.

Vitorino – PR. Pneus como fundação de paredes.

Rio Pomba – MG. Pneus usados para evitar erosão de nivelamento.

Do pau/bambu a pique ao cob, cordwood, adobes e pedras, chegando ao aço e ao concreto, a bioconstrução mescla-se com tecnologias primitivas e modernas, podendo-se usar de ambas técnicas construtivas na mesma empreitada

Lavanderia em casa mista de madeira, alvenaria e pau-a-pique reutilizando descarte (refilão) de serraria:

Algumas bioconstruções seguem projetos arquitetônicos, caros ou não, que demandam serviços especializados ou não. Cabe apenas a cada um julgar ou não o que cabe para sustentar o conceito de bioconstrução. Particularmente, gosto da ideia de que as bioconstruções, em partes, se auto-constroem conforme os desafios que se apresentam. E se moldam livremente de projetos e pré-determinações. Essa ideia é fundamental quando objetivamos a reutilização de recursos que, muitas vezes, exigem ideias inventivas e adaptações fora dos padrões.

Quanto mais locais forem os recursos e também a mão-de-obra, principalmente quando não há contratação dessa, mais podemos classificar como bioconstrução.

Do início aos acabamentos, é sempre bom receber ajuda de amig@s para bioconstruir!

A improvisação se faz presente no canteiro de obras:

Estrutura para paredes de banheiros em casa mista (madeira, alvenaria e bambu-a-pique)

porSítio Sapopema

Produção Sazonal

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Ecoturismo

Trilha de acesso ao Morro do Divisor pela mata. Identificação de espécies locais.
Apenas com guia.

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PANC’s

Plantas Alimentícias Não Convencionais