Agroecologia

Agroecologia é uma ciência, uma filosofia, uma cultura e um movimento (de luta, de educação, de sociedade, de identidade, de gênero, de gentes). Contempla a tod@s e representa a união de todas as escolas de agricultura ecológica. Tem como base o ser humano e sua integração com o meio. Prioriza a qualidade de vida baseada em princípios naturais. Também gera soluções para sistemas artificiais, como centros urbanos, e pra quem neles habita.

Alimento agroecológico é orgânico, mas orgânico pode não ser ecológico. Entenda as diferenças.

Para atender aos princípios da Agroecologia na agricultura, não basta abrir mão do uso de “cidas” e fertilizantes sintéticos. Muito além das práticas agrícolas, a base agroecológica é social e ambiental. Tem como prioridade a satisfação humana ao desenvolver suas atividades (trabalho?), promover saúde, dignidade, justiça social. Através da inter-relação de povos, comunidades e sociedades também busca a cosmovisão, o cooperativismo e a participação popular nas frentes de luta e resistência pois reconhece a desigualdade social como um legado do agronegócio pós-guerra/”revolução verde”. Em um nível mais profundo de entendimento, Agroecologia racional é política. Na significância, isto é, ao trazer significado pra vida, é uma filosofia e um caminho espiritual.

Priorizar o ser humano e sua qualidade e significância de vida torna-o capaz de ver as atrocidades de determinados modelos de produção agrícola, como o convencional e até mesmo o atual modelo moderno de produção orgânica.

É também nas escolas de Agroecologia (Sistemas Agroflorestais Regenerativos Análogos, Agricultura Natural/Selvagem, Permacultura, Agricultura Biodinâmica, etc.) que encontra-se bases científicas, técnicas e práticas para o desenvolvimento da atividade ecológica. Antes da produção ser satisfatória é importante considerar que as qualidades físicas, químicas, biológicas e energéticas do solo precisam ser melhoradas através das práticas. Se essas condições não são melhoradas anualmente ou a cada plantio e o meio está sempre regredindo no processo de regeneração, a pratica não pode ser considerada ecológica.

A visão ecológica de um meio ambiente consiste em perceber que tudo caminha ao equilíbrio, através das interações dos próprios seres. Não existe “praga” no pensamento ecológico, e nem “covas”. A mudança de pensamento é considerada como necessidade primária e fundamental. Um filhote, seja planta ou animal, não pode ser colocado em uma “cova”. Deve ser posto em um berço. Uma planta espontânea não pode ser vista como uma “praga” pois está cumprindo função em proteger a terra e melhorar as condições do solo para as seguintes. Deve ser vista como companheira, pois está “trabalhando” para o sistema, tal como a formiga e quaisquer outros seres comumente considerados “pragas, daninhas, invasoras, doenças”.

A mudança desses pontos de vista é primordial. Sem isso a vida no campo se torna uma constante luta entre ser humano e natureza, afastando a ambos e tornando penoso o trabalho e sobrevivência neste meio.